A juíza de Direito da 2ª Vara Criminal de Sinop, Rosângela Zacarkim dos Santos, participou do podcast Lucas em Debate, exibido em 15 de abril, onde compartilhou experiências e perspectivas sobre o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Com atuação reconhecida no combate a esse tipo de crime, a magistrada coordena projetos educativos, palestras e campanhas de conscientização que envolvem escolas, órgãos públicos e entidades da sociedade civil. O objetivo é desmistificar estereótipos, capacitar a comunidade e fortalecer a rede de proteção às vítimas.
Em 10 de abril, a juíza foi convidada como palestrante do evento Quebrando o Silêncio, realizado no plenário da Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde. Promovida pela Procuradoria da Mulher, a iniciativa reuniu representantes do Legislativo, agentes de segurança e membros de organizações não governamentais para debater estratégias de prevenção e acolhimento.
Ao falar sobre casos em ambientes religiosos, Rosângela questionou: “Como que há violência doméstica nos lares cristãos? O assunto precisa ser tratado nas igrejas também. As vítimas precisam ser levadas a sério dentro das igrejas”. Ela ressaltou que, mesmo em espaços de fé, o tema não pode ser negligenciado pelas lideranças.
Durante a entrevista, a juíza destacou que os atos de agressão não se limitam ao aspecto físico. Ela explicou que a violência psicológica “é uma agressão sutil, travestida de cuidado, onde o cônjuge controla as falas e o direito de ir e vir. É altamente nociva” e muitas vezes permanece oculta, o que dificulta o reconhecimento e a busca por ajuda.
Outra forma de abuso apontada foi a violência patrimonial, caracterizada pelo controle dos recursos financeiros do parceiro. “O homem não quer abrir mão do trabalho da mulher, mas há o controle financeiro desta esposa pelo marido”, observou Rosângela, ressaltando o impacto na autonomia e segurança econômica das vítimas.
Imagem: Imagem ilustrativa
Rosângela também enfatizou o engajamento de instituições públicas e privadas, ressaltando que a formação de agentes de segurança, profissionais de saúde e líderes comunitários é fundamental para identificar sinais precoces de abuso e encaminhar as vítimas aos serviços de apoio e proteção adequados.
Ao encerrar sua participação no podcast, a magistrada elogiou a iniciativa da Câmara Municipal e fez um alerta sobre o cenário estadual. “Somos um estado pujante e é triste sabermos que Mato Grosso está como o terceiro mais violento quanto à violência doméstica, e precisamos mudar isso”, afirmou, ao reforçar a necessidade de políticas integradas, assistência psicológica e acompanhamento jurídico contínuo às vítimas.
Com informações de Cenariomt





