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Empresas são condenadas por dano coletivo após morte de trabalhador em aeroporto de Rondonópolis

Em junho de 2023, um operador de munck de 45 anos morreu ao receber uma descarga de cerca de 13 mil volts durante a movimentação de cargas no canteiro de obras do Aeroporto Maestro Marinho Franco, em Rondonópolis (MT). A tragédia motivou uma Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que apurou falhas graves nas normas de segurança aplicáveis à reforma do terminal de passageiros.

Segundo a apuração, o braço hidráulico da máquina tocou a rede elétrica energizada justamente no início da tarde, quando o trabalhador iniciava sua jornada. A vítima deixou companheira e dois filhos menores, e sua morte evidenciou a forma insegura como vinha sendo realizado o serviço.

Na ACP, o MPT apontou omissões como a falta de análise de risco específica para movimentação de cargas, deficiências no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ordens de serviço genéricas, fornecimento inadequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e atraso na emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Decisão judicial

Ao julgar o caso, a juíza Karina Rigato, da 3ª Vara do Trabalho de Rondonópolis, reconheceu responsabilidade solidária de três empresas – a locadora de máquinas empregadora da vítima e duas contratantes de engenharia. A magistrada destacou que as falhas estruturais afastaram a tese de culpa exclusiva do operador e revelaram omissão na fiscalização e na elaboração de procedimentos de segurança.

Foi ressaltado que a operação de guindastes articulados em canteiros envolve risco permanente de contato com redes aéreas de energia. A ausência dessa previsão no PGR violou a Norma Regulamentadora 01, enquanto a falta de análise de risco conforme a NR-18 agravou a exposição dos trabalhadores.

Indenização e medidas obrigatórias

As empresas foram condenadas a pagar R$ 500 mil de indenização por dano moral coletivo e a adotar diversas providências para prevenir novos acidentes. Entre as obrigações estão a elaboração de ordens de serviço detalhadas, inclusão de todos os perigos no PGR, fornecimento de EPIs específicos (luvas isolantes, botas e tapetes de borracha), emissão correta da CAT e garantia de condições seguras para trabalhadores terceirizados.

Imagem: Ap

A decisão também impôs a observância estrita da Permissão de Trabalho (PT), exigindo distância mínima de seis metros das redes elétricas e adoção de proteções coletivas, sob pena de multa de R$ 4 mil por item descumprido e por trabalhador afetado.

Abril Verde

O caso reforça a importância de campanhas como a Abril Verde, cuja edição de 2026 usa o slogan “Trabalho mais saudável e seguro para todos”. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho indicam que, entre 2012 e 2024, mais de 32 mil trabalhadores com carteira assinada morreram em acidentes laborais no Brasil. Além do Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril, a campanha destaca em 28 de abril o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

As medidas judiciais visam não apenas reparar o dano moral coletivo, mas estimular a adoção de práticas que garantam ambientes de trabalho mais seguros em obras de construção civil.

Com informações de Cenariomt