Uma ação coordenada pelo governo federal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, provocou prejuízos estimados em R$ 42 milhões às atividades de garimpo ilegal. Iniciada em 25 de março, a operação se estendeu ao longo de abril com intensificação das vistorias e repressões na região.
Entre 4 e 11 de abril, as equipes de fiscalização realizaram 144 intervenções voltadas para desarticular a logística empregada pelos garimpeiros. Nesse período, duas escavadeiras hidráulicas, avaliadas em cerca de R$ 1 milhão cada, foram destruídas, eliminando equipamentos considerados essenciais à extração clandestina.
No balanço da operação, as autoridades também registraram a desmobilização de 42 acampamentos e a destruição ou apreensão de 102 motores, 36 geradores, 17 máquinas leves e 490 metros de mangueiras de sucção. As equipes ainda inutilizaram aproximadamente 14 mil litros de diesel, 150 litros de gasolina e apreenderam 40 quilos de explosivos.
A Terra Indígena Sararé faz fronteira com a Bolívia e abriga cerca de 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. Com cerca de 67 mil hectares, a área já teve pelo menos 4,2 mil hectares afetados pelo garimpo ilegal, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Segundo monitoramento ambiental e levantamento da Operação Amazônia Nativa (Opan), a região lidera o ranking nacional de alertas de garimpo ilegal, com mais de 1,8 mil registros. As atividades clandestinas têm contaminado rios como o Sararé e o córrego Água Suja com mercúrio e cianeto.
Relatórios apontam ainda aumento da violência na região, com atuação de facções criminosas, ameaças a comunidades indígenas e registros de ataques a aldeias. A proximidade com a Bolívia transformou o território em rota estratégica para o tráfico de drogas, intensificando as ações ilegais.
Imagem: Imagem ilustrativa
Dados recentes revelam que 93% das terras indígenas de Mato Grosso sofrem pressão da mineração. A TI Sararé, em particular, liderou em 2024 o índice de desmatamento na Amazônia Legal. Entre 2021 e 2024, a devastação nessa área cresceu 729%, impulsionada principalmente pela expansão do garimpo ilegal.
As operações federais continuam em curso com o objetivo de conter o avanço das atividades criminosas, garantir a preservação do território indígena e assegurar a segurança das comunidades locais.
Com informações de Muvucapopular





