Alta de preços afeta planejamento da próxima safra
O agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã tem refletido diretamente no custo dos principais insumos agrícolas, influenciando o planejamento da safra 2026/2027 no Brasil. A cotação da ureia subiu entre 33% e 48% nas últimas semanas, enquanto a amônia anidra teve alta de cerca de 39%. O movimento se deve, principalmente, à elevação do preço do gás natural e às restrições logísticas na passagem pelo Estreito de Ormuz, rota-chave para o escoamento de fertilizantes.
Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o país depende da importação de cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Grande parte da ureia adquirida pelo Brasil é proveniente do Oriente Médio, o que aumenta a exposição a flutuações decorrentes do conflito e eleva o risco de novos reajustes de curto prazo.
No momento em que os produtores definem as estratégias para o ciclo 2026/2027, custos mais elevados têm levado a adiamentos na aquisição de insumos e à busca por alternativas para reduzir o peso dos fertilizantes no orçamento. Culturas como soja e milho, que demandam maior volume de nutrientes, são as mais afetadas pela pressão nos preços.
Além do valor dos insumos, o frete marítimo também ficou mais caro. O aumento no preço do petróleo, impulsionado pela instabilidade na região, elevou as tarifas de transporte, contribuindo para o encarecimento final dos fertilizantes no mercado interno.
Governo avalia medidas de mitigação
Para amenizar o impacto sobre o agricultor, o governo federal estuda criar um mecanismo de subvenção dentro do Plano Safra 2026/27. A proposta prevê o uso de crédito subsidiado para reduzir o custo dos fertilizantes ao produtor.
No âmbito estrutural, a estratégia inclui a ampliação da produção nacional por meio do Plano Nacional de Fertilizantes e a disponibilização de linhas de financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é diminuir a dependência externa, apontada como um dos principais desafios do setor.
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Do lado do agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem reivindicado ações emergenciais, como a redução de encargos logísticos e tributários. Entre os pedidos está a isenção do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa que onera a importação de insumos.
Em conjunto, a combinação de preços altos de fertilizantes, aumento no frete e incertezas geopolíticas cria um cenário de volatilidade para os produtores. As definições finais de custos para a safra 2026/2027 devem ocorrer em um ambiente de riscos elevados, impactando margens e decisões de plantio.
Com informações de Passandoalimpomt





