No dia 17 de abril, data que marca o nascimento do economista e ex-senador cuiabano Roberto Campos, não foram registradas homenagens oficiais pela classe política local. Nem discursos institucionais, nem cerimônias ou publicações em redes sociais reconheceram a memória de um dos pensadores econômicos mais influentes do país.
O silêncio institucional surpreende, já que a efeméride costuma ser lembrada em postagens protocolarmente comemorativas. Em Cuiabá, no entanto, não houve menção a Campos em sites governamentais, perfis de representantes estaduais ou mobilizações de grupos alinhados ao liberalismo econômico que ele defendia ao longo de sua carreira.
Trajetória intelectual e política
Roberto de Oliveira Campos nasceu em Mato Grosso em 1917, em família de origem modesta, e construiu trajetória que o projetou no cenário internacional. Formado em Economia, participou da histórica Conferência de Bretton Woods em 1944, colaborou na fundação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ajudou a estruturar o Banco Central do Brasil. Foi ainda ministro do Planejamento durante o governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e exerceu mandatos como senador.
Defesa do liberalismo e crítica a regimes autoritários
Convicto adepto do pensamento liberal, Roberto Campos teve na obra de Ludwig von Mises forte influência e manteve amizade pessoal com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Em seu discurso público, defendeu privatizações, redução da intervenção estatal e rigor na gestão fiscal — temas considerados impopulares no Brasil das décadas de 1960 e 1970. Também se destacou como crítico severo de regimes totalitários e das experiências comunistas ao redor do mundo.
O fato de políticos que se apresentam como seguidores dessas ideias não terem registrado nenhuma manifestação reforça o caráter simbólico do esquecimento. A ausência de qualquer evento ou menção sugere distanciamento em relação ao legado de quem antecipou debates hoje centrais nas políticas públicas.
Imagem: Imagem ilustrativa
Como ironizava o próprio Campos: “No Brasil, a burrice possui um passado glorioso e um futuro promissor”. Talvez esse esquecimento revele mais sobre as prioridades atuais do que sobre o impacto histórico do homenageado.
Com informações de Fatosdenobres





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