A organização do Globo de Ouro anunciou nesta semana mudanças no regulamento que permitem o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) em filmes e séries, desde que a direção criativa e a autoria permaneçam atribuídas a profissionais humanos. A cerimônia, transmitida pela Globo, está marcada para 10 de janeiro do próximo ano e chega com novas diretrizes para a aplicação de tecnologias de IA.
Segundo o novo texto, o emprego de IA, inclusive generativa, não resulta em desqualificação automática das obras inscritas, desde que “a direção criativa humana, o julgamento artístico e a autoria permaneçam primários durante todo o processo de produção”. A norma reforça que a IA pode servir como apoio em etapas como edição de imagem, mixagem de som ou correção de cor, mas não pode substituir as principais contribuições do talento artístico.
Categorias de atuação
Nas categorias de atuação, o regulamento estabelece maior rigidez. Performances “substancialmente geradas ou criadas por inteligência artificial” ficam inelegíveis. Além disso, está proibido o uso não autorizado de réplica de voz, imagem digitalizada ou dados biométricos de atores registrados. Mesmo que o intérprete esteja creditado, a aplicação indevida desses recursos pode levar à desclassificação do projeto.
Análise e comprovação
O comitê responsável pela seleção poderá solicitar materiais adicionais para avaliar o grau de participação da IA em cada produção. A entrega pontual dessas informações é obrigatória; em caso de demora ou ausência, a obra corre risco de perder a elegibilidade.
Demais categorias técnicas
Para áreas como direção, roteiro, composição musical e animação, permanece a possibilidade de inscrição desde que “as contribuições criativas centrais” sejam realizadas por profissionais humanos, com a IA atuando apenas como ferramenta de suporte.
Novidades em indicações internacionais e podcasts
Outra mudança prevê que filmes independentes e obras em idiomas não ingleses, incluindo produções brasileiras, possam concorrer a prêmios de atuação mesmo sem estarem inscritos na categoria de Melhor Filme, desde que atendam aos demais requisitos de elegibilidade.
Imagem: Metrópoles
No segmento de podcasts, os indicados serão escolhidos exclusivamente a partir de uma lista dos “30 Melhores Podcasts”, elaborada pela empresa Luminate com base em métricas de público e desempenho durante o período de inscrição.
Com as alterações, o Globo de Ouro busca equilibrar inovação tecnológica e preservação do trabalho criativo humano, adaptando-se às transformações da indústria audiovisual sem abrir mão de critérios de autenticidade artística.
Com informações de Fatosdenobres





