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Operação Supremo Engano desarticula esquema de tráfico em Cuiabá e Várzea Grande

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quinta-feira (16) a Operação Supremo Engano, com o objetivo de desmontar uma quadrilha que utilizava decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para mascarar atividades de tráfico de drogas e associação criminosa. A ação foi concentrada na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande, onde foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.

Segundo a Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), a investigação, que se estendeu por vários meses, revelou um sofisticado esquema de cultivo indoor de cannabis com alta concentração de THC, conhecida como “skunk” ou “supermaconha”. O grupo utilizava estufas equipadas com tecnologia avançada para produzir e distribuir a droga em grande escala.

Uso indevido de decisões do STF para ocultar o tráfico

Um dos líderes da organização chegou a tentar obter habeas corpus preventivo com base em uma decisão do STF que descriminaliza o porte de entorpecentes para uso pessoal. Para isso, utilizava documentos falsos que atestavam supostas doenças graves, na tentativa de legalizar o cultivo e o transporte dos insumos. Na prática, a medida visava dar aparência de legalidade à produção comercial ilícita.

Além disso, os investigados substituíam o conteúdo de produtos de cânhamo legalizados por drogas de maior potência, burlando a fiscalização. Essa estratégia permitia a inserção da “supermaconha” no mercado sob a máscara de produtos permitidos, dificultando a identificação pelas autoridades.

Divisão de tarefas e ações integradas

As apurações da Denarc indicam que a associação criminosa seguia critérios da Lei nº 11.343/2006, com divisão de funções para cultivo, intermediação e movimentação financeira. Materiais apreendidos, incluindo documentos falsificados e registros de transações bancárias, reforçam a caracterização de lavagem de dinheiro e fraude documental.

Imagem: Denarc-PJC

A Operação Supremo Engano faz parte do planejamento estratégico estadual, englobando a Operação Pharus e o programa Tolerância Zero. Também está vinculada à Renorcrim, iniciativa nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para combate a organizações criminosas.

Os presos e os itens recolhidos foram encaminhados à sede da Denarc em Cuiabá, onde seguem os procedimentos legais. A Polícia Civil informou que a análise dos objetos apreendidos poderá levar a novos desdobramentos e à identificação de outros envolvidos no esquema.

Com informações de Cenariomt