O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) lançou em 16 de abril a obra técnica “Plantas oleaginosas para biodiesel no Paraná”, que reúne orientações para diversificar a matéria-prima do setor e reduzir a dependência da soja.
O Brasil produz atualmente cerca de 10 bilhões de litros de biodiesel ao ano, mas mais de 70% dessa quantidade tem origem no óleo de soja. Esse predomínio torna a cadeia produtiva vulnerável às oscilações de safra, ao preço internacional da oleaginosa e aos custos de produção, impactando diretamente o preço do diesel agrícola.
Segundo o estudo, a concentração em um único insumo dificulta o planejamento dos produtores e amplia o efeito de choques de mercado sobre suas margens. Diante desse cenário, a diversificação de oleaginosas deixa de ser apenas uma estratégia agronômica e passa a ser uma necessidade econômica para garantir maior previsibilidade e segurança financeira.
A publicação, fruto de anos de pesquisa aplicada, conta com a colaboração de 38 pesquisadores e avalia dez espécies com potencial para cultivo no Paraná, entre elas canola, girassol, gergelim e crambe. O trabalho analisa fatores como adaptação climática, manejo, rendimento de óleo e integração na cadeia do biodiesel, visando oferecer ao produtor rural um leque de opções compatíveis com as condições regionais.
No Paraná, que produz cerca de 2,3 bilhões de litros de biodiesel ao ano, o cultivo de oleaginosas alternativas ainda é incipiente, mas apresenta sinais de expansão. As culturas de inverno, como canola e girassol, além de fornecerem matéria-prima, contribuem para a rotação de culturas e melhoram a qualidade do solo.
Atualmente, a canola ocupa aproximadamente 8 mil hectares nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Embora o montante seja pequeno em comparação à área plantada com soja, a tendência é que o cultivo evolua com o suporte de incentivos de mercado e assistência técnica especializada.
Outro ponto destacado é o aproveitamento dos coprodutos da extração de óleo. Os farelos e tortas resultantes podem ser utilizados na alimentação animal, gerando receita adicional e elevando a eficiência do sistema produtivo.
Imagem: Imagem ilustrativa
No cenário mundial, a produção de óleos vegetais ultrapassa o equivalente a 200 bilhões de litros por ano, com destaque para soja e palma. O Brasil, com seu potencial de área e tecnologia, tem oportunidade de crescer de forma sustentável por meio da diversificação da matriz oleaginosa.
A avaliação técnica conclui que ampliar o portfólio de oleaginosas é fundamental para reduzir riscos, estabilizar custos e dar maior previsibilidade ao setor. Para o produtor, isso representa melhor aproveitamento da terra ao longo do ano e menor exposição às oscilações de mercado.
O livro está disponível no site do IDR-Paraná e custa R$ 300. Para adquirir, clique aqui.
Com informações de 24horasmt

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