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Projeto Homens em Reconstrução promove segunda etapa em unidade prisional de Várzea Grande

Na primeira semana de abril, detentos condenados por violência doméstica e feminicídio participaram da segunda fase do projeto Homens em Reconstrução no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. A ação é coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT) e tem como meta responsabilizar agressores e reduzir a reincidência de crimes contra mulheres.

Diálogo e conscientização no sistema prisional

Os encontros são realizados em parceria com o grupo “Papo de Homens para Homens”, formado por policiais civis especializados em violência de gênero. Por meio de rodas de conversa e dinâmicas, os facilitadores trabalham para desconstruir padrões de masculinidade tóxica, incentivando os participantes a refletirem sobre os impactos de suas ações na vida das vítimas e de seus familiares.

Segundo a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), centros de educação e reabilitação para autores de violência doméstica estão previstos como medida para interromper o ciclo agressor-vítima e promover a ressocialização durante o período de reclusão.

Foco na redução da reincidência

Iniciado em 2025 como projeto piloto, o Homens em Reconstrução segue estudos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que indicam queda significativa na taxa de reincidência quando o agressor passa por programas de reflexão e responsabilização. A metodologia adotada baseia-se em quatro pilares:

  • Responsabilização: incentivar o reconhecimento do ato violento sem atribuir culpa à vítima;
  • Empatia: promover a compreensão do sofrimento causado e as consequências sociais do crime;
  • Novas Perspectivas: desenvolver habilidades para solução de conflitos sem uso da força;
  • Prevenção: preparar o reeducando para o convívio social após a liberdade, com postura transformada.

Expansão das políticas de ressocialização

Para o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, investir em inteligência social é tão importante quanto a vigilância. “Atuar na raiz do problema é a forma mais eficaz de evitar novos casos de feminicídio no futuro”, afirmou.

Imagem: Ap

Com a conclusão da etapa piloto em Várzea Grande, a Sejus-MT planeja implementar o programa em outras unidades prisionais do estado. A expansão dependerá da avaliação técnica dos resultados e do engajamento dos participantes, objetivando consolidar Mato Grosso como referência em políticas de combate à violência de gênero.

Com informações de Cenariomt