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Juros elevados, crédito restrito e incertezas freiam expansão da indústria de Mato Grosso

Durante o Fórum Economia e Desenvolvimento Institucional, realizado nesta sexta-feira no Centro de Eventos do UniSenai, em Cuiabá, o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, afirmou que a combinação de juros altos, acesso limitado ao crédito e instabilidade econômica tem travado o avanço do setor industrial no estado.

Rangel participou do painel “Desafios Econômicos dos setores estratégicos: Investimentos, Crédito e Ambiente de Negócios”, que contou com a presença do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, do economista Carlo Pereira, presidente do LIDE Bélgica, de Caio Penido, à frente do Instituto Mato-grossense de Administração e Ciências (IMAC), e de Junior Macagnam, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O debate foi mediado por Álvaro de Carvalho.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentados pelo presidente do Sistema Fiemt, em 2025, 72% das indústrias mato-grossenses realizaram algum tipo de investimento, mas apenas 36% conseguiram executar os projetos conforme o planejamento inicial. Para 2026, a pesquisa indica que cerca de 56% das empresas pretendem investir, reflexo do cenário de cautela em razão das condições de mercado.

Quanto à origem dos recursos, 62% dos investimentos foram custeados com capital próprio das indústrias, enquanto uma parcela menor contou com financiamento bancário ou linhas de crédito específicas, apontando as restrições impostas pelos elevados encargos e pela burocracia.

O setor industrial de Mato Grosso está presente em 140 municípios, reúne mais de 16 mil estabelecimentos e emprega aproximadamente 197 mil trabalhadores com carteira assinada. A atividade representa cerca de 16% do PIB estadual e tem demonstrado trajetória de crescimento, ainda que aquém do seu potencial real.

“O custo por causa dos juros e a dificuldade de acesso que travam o crescimento. Muitas empresas deixam de investir ou adiam projetos porque o financiamento se torna inviável”, afirmou Rangel.

Imagem: Imagem ilustrativa

Rangel também destacou o desempenho de Mato Grosso na política Nova Indústria Brasil (NIB): entre 2023 e 2025, o estado teve quase R$ 24 bilhões em projetos aprovados, o que equivale a 3,6% do total nacional, evidenciando o potencial competitivo local e a possibilidade de ampliar a participação nas iniciativas federais.

O Fórum Economia e Desenvolvimento Institucional reuniu representantes do setor produtivo e especialistas para debater alternativas capazes de favorecer novos investimentos, melhorar o acesso ao crédito e aperfeiçoar o ambiente de negócios em Mato Grosso.

Com informações de Sonoticias